Perfil microbiológico das úlceras de pacientes com pé diabético no Hospital Geral de Vitória da Conquista.

INTRODUÇÃO A síndrome do pé diabético (SPD) é uma das principais complicações preveníveis do Diabetes Mellitus, definida como o processo de ulceração do pé provocado por neuropatia e ou prejuízo vascular, o que leva a distintos graus de isquemia e infecção. A SPD é a causa mais frequente de hospitalização dos portadores de DM, e 14-20% dos pacientes com DM que desenvolvem SPD serão amputados, gerando alto custo pessoal, social e econômico. Os principais microorganismos presentes em feridas infectadas crônicas são Escherichia coli, Pseudomonas e Staphylococcus aureus. OBJETIVOS Descrever o perfil microbiológico das úlceras do pé diabético dos indivíduos admitidos no Serviço de Cirurgia Vascular (SCV) do Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC). MÉTODOS A coleta do material biológico foi realizada antes do início da antibioticoterapia na admissão dos pacientes regulados ao SCV/HGVC. A antissepsia pré-coleta nas feridas fechadas foi realizada com clorexidina alcoólica a 0.5% e nas feridas abertas foi realizado desbridamento. Para coleta, rolou-se um swab sobre a superfície aproximadamente por 5 vezes, focando nas áreas onde houve evidência de infecção (pus e tecido inflamado). Após a coleta, o swab foi colocado em tubos de transporte contendo 10 mL do meio Brain Heart Infusion (BHI) e foi enviado ao laboratório de Microbiologia da IMS/CAT-UFBA. Após admitida, a amostra foi armazenada em geladeira a 4ºC e o tempo máximo de processamento das amostras após admissão foi de 12 horas. O isolamento dos microrganismos foi realizado por meio da realização de 3 semeaduras consecutivas em meios Cetrimide, Manitol e MacConkey, utilizando alça bacteriológica estéril e a técnica de esgotamento. Após o terceiro repique, foi realizado em todas as colônias obtidas o teste de Gram, bem como provas de coagulase e catalase. Todos os pacientes preencheram o termo de consentimento livre e esclarecido para participação no estudo, e o risco acarretado pelo estudo não foi maior do que o risco associado a exames médicos rotineiros. RESULTADOS Foram analisados 49 isolados advindos de amostras de 34 pacientes. 7 isolados foram excluídos por ferir a metodologia. Ao que diz respeito a morfologia, 55,1% dos microrganismos eram cocos, 6,1% diplococos, 14,3% bacilos e 10,2% cocobacilos. 42,8% dos isolados foram gram positivos enquanto 44,9% foram gram negativos. 40,8% dos isolados foram catalase positivos e 20,41% de todos os isolados foram laboratorialmente diagnosticados como Staphylococcus aureus por serem cocos gram, catalase e coagulase positivos. CONCLUSÃO Os resultados demonstram que as úlceras infectadas que compõem a síndrome do pé diabético em pacientes do HGVC possuem uma distribuição equilibrada entre gram negativos e gram positivos. Um em cada cinco pacientes de SPD nesse hospital terá infecção por Staphylococcus aureus, o qual é responsável por agravos oportunistas como septicemia, osteomielite, endocardite, entre outros. Os resultados desse estudo, associados aos dados clínicos obtidos, irão contribuir para a atualização dos protocolos de antibioticoterapia do HGVC, bem como suscitar novas perguntas e discussões. Análises estatísticas mais aprofundadas ainda serão realizadas, bem como o perfil de resistência microbiana das amostras.

Palavras Chave: Microbiologia, Diabetes, Ferimentos e Lesões

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